DISTÚRBIOS DE RITMO CARDÍACO
O distúrbio do rítmo cardíaco ou arritmia é a presença de
uma alteração do ritmo do batimento do coração decorrente de defeito
de formação ou condução do impulso elétrico. Pode
ser constante, intermitente ou ocorrer após um determinado estímulo,
como o esforço físico.
Arritmia pode ocorrer quando os sinais elétricos que controlam
os batimentos cardíacos ficam atrasados ou bloqueados. Isso pode
acontecer quando as células nervosas especiais que produzem o sinal elétrico
não funcionam apropriadamente, ou quando os sinais elétricos não
viajam normalmente pelo coração. Uma arritmia também pode ocorrer
quando outra parte do coração começa a produzir sinais elétricos,
adicionando aos sinais das células nervosas especiais, e alterando o
batimento cardíaco normal.
Podem ocorrem na presença de distúrbios cárdio-circulatórios,
desequilíbrios hidro-eletrolíticos, alteração da temperatura corpórea,
medicamentos e toxinas, algumas vezes causa desconhecida.
As alterações de ritmo mais comuns são:
-
Ritmos
Irregulares e déficit de pulso: contrações prematuras e
taquicardias paroxísticas, fibrilação atrial
-
Ritmos
Regulares e rápidos: taquicardia sinusal, supraventricular e
ventricular
-
Ritmos
lentos: bradiarritmias sinusal, síndrome do sino doente, parada
atrial, bloqueios atrio-ventriculares.
Ritmos
Irregulares e déficit de pulso
·
Contrações
prematuras ventricular
Impulso
cardíaco único iniciado dentro dos ventrículos, em vez do nodo
sinusal.
Causas:
Cardiomiopatias
(comum em raças grandes, principalmente boxer e dobberman e gatos),
defeitos congênitos (estenose subaórtica), valvulopatias crônicas,
torção/vólvulo gástrico, miocardite traumática, intoxicação por
digitálicos, hipertiroidismo, neoplasias cardíacas
Hipocalemia,
hipomagnesemia, distúrbios ácido-básicos, hipóxia.
Sinais
clínicos:
fraqueza,
intolerância ao exercício, síncope, morte súbita. Frequentemente,
assintomático.
Diagnóstico:
Ritmos
irregulares associado com défits de pulso
Arritmias
intermitentes podem estar ausentes no exame
Complexos
QRS tipicamente largos e bizarros e ondas P dissociadas dos complexos
QRS.
Tratamento:
Cães:
Em
sem ICC e hipotenso: Beta bloqueador (propranolol: 0,2-1,0 mg/kg VO TID;
atenolol: 0,2-1,0 mg/kg VO SID)
Em
ICC e hipotenso: Procainamida: 8-20 mg/kg VO QID TID
Gatos:
Propanolol:
2,5-5,0 mg/ gato TID; Atenolol: 6,25mg/gato SID
·
Complexo atriais
prematuras
Batimentos
atriais prematuros que se originam fora do nodo sinoatrial e interrompem
o ritmo sinusal normal.
Podem
preceder distúrbios ritmicos mais severos como: fibrilação atrial,
taquicardia atrial
Causas:
variação normal em cães idosos, valvulopatias crônicas,
miocardiopatias, miocardite atrial, distúrbios eletrolíticos,
neoplasias, hipertiroidismo, toxemias, intoxicação por digitálicos,
Predileção:
cães de raças pequenas
Diagnóstico:
Ritmo
cardíaco irregular, sopros cardíacos, ritmo de galope
Eletrocardiograma:
frequência normal, ritmo irregular, onda P prematura (P´) difere da P
sinsusal, pode ser positiva, negativa, bifásica ou sobreposta a onda T
anterior. Complexo QRS normais
Tratamento:
Cães
com arritmia clinicamente significativa:
Digoxina
0,005-0,01 mg/kg VO TID,diltiazem: 0,5-1,5mg/kg, atenolol: 0,2-1,0mg/kg
VO BID ou propanolol: 0,25-1,0mg/kg VO BID
Gatos:
hipertrofica: diltiazem (0,5-1,5 mg/kg VO TID), propanolol (0,2-1,0
mg/kg VO TID, atenolol
(0,25-1 mg/kg VO BID)
·
Fibrilação atrial
Comum
na presença de aumentos atriais acentuados em cães e gatos.
Causas
predisponentes comuns: Cardiomiopatia dilatada, endocardiose de válvulas
átrio-ventriculares, alterações congenitas com aumento atrial,
miocardiopatias hipertróficas ou restritivas.
Em
resposta ao excesso de estímulos atriais provoca um frequência de
resposta ventricular rápida e irregular, resultando um pouco tempo de
preenchimento ventricular e comprometimento no débito cardíaco.
Ritmo
ventricular rápido e irregular. Nenhuma onda P distinta; às vezes a
linha base pode mostrar ondulações chamadas ondas de fibrilação. Pode
estar não aparentes. Os
complexos de QRS tendem a apresentar a morfologia normal.
Visa
reduzir a frequencia cardíaca – hospitalizado/ casa : cão< 150/
70-120 bat/min; gato< 180/ 80 -140 bat/min., reduzindo a frequência de
resposta ventricular por diminuição da condução atrioventricular.
1ª
Digoxina (até o dobro da dose de manutenção por 1 a 2 dias). Não em
gatos com hipertrófica.
2ª
Insucesso: adicionar um beta-bloqueador ou diltiazem.
Ritmos
Regulares e rápidos:
·
Taquicardia sinusal
Frequencia
cardíaca regular, porém aumentada. Aumento do tônus simpático ou o
bloqueio vagal induzido por medicamento.
Causas:
Fisiológicas:
Ansiedade, dor, exercícios, excitação
Patológicas:
febre, infecções, tireoxicose, insuficiência cardíaca, hipotensão,
hipóxia, choque,
Tóxicas:
ingestão de toxinas, atropina, adrenalina, quetamina, quinidina,
broncodilatadores xantinicos, beta agosnistas.
Diagnóstico:
Cães:
FC> 160 bat/min, gatos: FC> 220 bat/min
Uma
onda P para cada complexo QRS e intervalo PR constante.
Tratar
a causa de base
Cães:
Digoxina. Adicionar um beta bloqueador (Atenolol 0,25-1,0 mg/kg BID ou
SID) ou um bloqueador de canal de cálcio (Diltiazem 0,5-1,5 mg/kg TID)
em caso de insucesso.
Gatos:
Hipertiroidismo: beta-bloqueador (Atenolol: 6,25-12,5 mg/gato);
miocardiopatia hipertrófica: bloqueador de canal de cálcio
(diltiazem:1,75-2,4 mg/kg VO TID)
·
Taquicardia Atrial (Supraventricular)
Despolarizações
prematuras supraventriculares repetidas que se originam geralmente a
partir de outro local (miocardio atrial ou tecido juncional
atrioventricular) que não seja o nodo sinusal
Na
auscultação o ritmo é regular, difícl de diferenciar com a sinusal.
Taquicardia Atrial é geralmente: FC>300 bat/min.
Diagnóstico:
No
eletrocardiograma: Complexos QRS típicos. Onda P diferem (positivas,
negativas) e/ou sobrepostas pelas ondas T (não visualizado). Mínimo 4
complexo atriais prematuros
As
causas envolvidas são as mesmas que a contração atrial prematura
Utilizar
a manobra vagal para diferenciar de outras arritmias. Taquicardia
sinusal reduz a FC menos que taquicardia supraventricular.
Massagear
os seio carotídeos (abaixo da mandíbula nos sulcos jugulares) ou
pressionar o globo ocular bilateral firme por 15 a 20 segundos.
Tratamento
de emergencia: Bloqueador de cnal de cálcio (verapamil: 0,05 mg/kg
bolus IV, por 5 -15 minutos); bloqueadores adrenérgicos (propanolol:
0,02 mg/kg, bolus lento, máximo: 0,1 mg/kg)
Tratamento
a longo prazo:
Digoxina.
Beta
bloqueador (Atenolol 0,5-2,0 mg/kg BID ou SID)
Bloqueador
de canal de cálcio (Diltiazem 0,5-1,5 mg/kg TID) em caso de insucesso.
·
Taquicardia Ventricular
Arritmia
com potencial risco de vida. Diminuição acentuada da pressão arterial
e alta FC. Comum em cães, mas rara em gatos, pode ser intermitente
(paroxistica) ou sustentada com FC> 150 bat/min com ritmo regular.
Causas:
mesmas que complexos prematuros ventriculares
Diagnóstico:
presença de 3 ou mais contrações prematuras ventriculares. Complexos
QRS largos e bizarros e ondas P, se ocorrer, são dissociadas aos
complexos QRS.
Tratamento:
Emergencia:
Lidocaína (2 mg/kg máximo 8 mg/kg) bolus; manter infusão (25-75
ug/kg/minuto). Se falhar: procainamida (2 mg/kg máximo 20 mg/kg), infusão
(20-50 ug/kg/minuto ou 8-20 mg/kg IM QID
Bradiarritmias:
·
Bradirritmia sinusal
Frequencia cardíaca mais lenta com ritmo sinusal
Causas:
Fisiológicas:
condicionamento atlético, hipotermia, intubação
Fisiopatológicas:
tônus vagal associado com doenças gastrointestinais, respiratória,
neurológicas ou faringeanas
Patológicas:
alta pressão intracraniana, hipercalemia, hipercalcemia,
hipermagnesemia, hipoxemia, hipotiroidismo, bloqueio sino atrial,
cardiomiopatia dilatada felina.
Sinais
clínicos: pode não haver nenhum, letargia, intolerância ao exercício,
síncope, ataxia esporádica, convulsões.
Frequencia
de pulso lenta e pode ocorrer hipotermia
Diagnóstico:
Desafio com atropina (0,04 mg/kg IM SC) – avalie ECG após 20 -30
minutos. Aumento de 50%.
Tratamento
– dependendo dos sinais:
Atropina
2 mg/kg IV ou glicopirrolato ( 0,005-0,01 mg/kg IV)
Brometo
de propantelina (0,5-2mg/kg VO BID ou TID), teofilina 20mg/kg VO BID)
·
Síndrome do sino
doente,
Distúrbio
na formação do impulso no nodo sinoatrial. Episódios de bradicardia
sinusal grave com parada sinusal e/ou bloqueio sinoatrial.
Causas:
Idiopática, Familiar nos Schnauzer miniaturas, doenças metastática ou
isquêmica.
Sinais
clínicos: fraqueza, síncope e convulsões de Stokes-Adams,
Raças
predisponentes: fêmeas Schnauzer idosas, dachshund, Pugs e mestiços.
Raro em gatos.
Diagnóstico:
Desafio com atropina (0,04 mg/kg IM SC) – avalie ECG após 20 -30
minutos. Ausencia de resposta de aumento da FC.
Um
frequencia atrial lenta e irregular (atividade prejudicada do
sino-atrial), bradicardia sinusal severa, ou pausas longas de assitolia
sem batidas de escape.
A
frequencia de ventricular está muito lenta e irregular.
Batimentos ventriculares de escape são comuns, entretanto eles
estão freqüentemente lentos manifestar (seguido de uma pausa maior
para o aparecimento)
Bloqueio
de 2° e 3º grau incompleto podem estar presentes.
taquicardia
supraventricular paroxistica alternada com bradicardia severa.
Tratamento:
Cães
com bradicardia e parada sinusal: terbutalina (0,2 mg/kg VO BID ou SID)
ou teofilina (20 mg/kg VO BID)
Cães
com bradi-taqui: digoxina (0,005mg/kg/ VO BID) ou atenolol (0,5-1 mg/kg
VO SID ou BID)
·
Bloqueios
atrio-ventriculares.
Bloqueio
de coração recorre a um grupo de desordens caracterizado por condução
variável dos átrios para os ventrículos. Bloqueio de coração pode
ser classificado como:
Bloqueio
de 1º grau - condução prolongada pelo nodo de atrio-ventricular
Bloqueio
de 2º grau – falha no impulso sinoatrial para ativar o miocardium
ventricular
Bloqueio
de 3º grau - nenhuma condução por nodo de AV, ativação de
ventricular devido a um foco de marcapasso de ventricular automático
(foco de fuga, atividade de marcapasso subsidiária oculta) O bloqueio
AV pode ser classificado como primeiro grau (intervalo PR prolongado);
segundo grau (Tipo I ou II intermitente com dissociação P-QRS) ou
terceiro grau (bloqueio AV total).
Causas:
Tóxicas:
bloqueadores beta-adrenérgicos, antagonistas de cálcio, inibidores de
colinesterase (organofosforados/carbamatos e agentes neurotóxicos),
digitálicos e outros glicosídeos cardíacos , opióides,
fenilpropanolamina, fenilefrina (hipertensão com bradicardia reflexa)
Não
tóxicas: bloqueios idiopáticos de cães idosos, miocardiopatia
hipertrofica, isquemia coronariana, hipercalemia, hipoxemia (grave),
hipotermia, hipotireoidismo, doença intrínsica do sistema de condução,
aumento de pressão intracraniana, síncope vaso-vagal
Sinais
clínicos:
O
bloqueio de II grau tipo 1 e de primeiro grau costumam estar associados
a tonusvagal elevado ou influências de medicamentos. Em geral são
assintomáticos e o exercício ou aplicação de atropina elimina o distúrbio
de condução.
O
bloqueio de II grau avançado (ondas P bloqueadas) e o bloqueio completo
causam letargia, intolerância ao exercício, , fraqueza e sincope.
Diagnóstico:
Bloqueio
de 1° grau: Intervalo de PR prolongado (cão:
PR> 0.13 segundos, gato: PR> 0.09 segundos). Um onda P para
todo QRS e um complexo QRS para toda onda P.
Bloqueio
de 2° grau:
Mobitz
tipo 1 (Wenckebach): Onda P não é seguida por um complexo QRS.
Complexo QRS normalmente é de duração e morfologia normal. O
intervalo de PR prolonga progressivamente até o batimento bloqueado.
Mobitz
Tipo 2:
Onda
P não é seguida por um complexo de QRS. Pode ter um QRS largo
complexo. Intervalo de PR de duração constante. Pode ter ondas P múltiplas
não seguidas de complexos de QRS.
Bloqueio
de 3° grau
A
frequência e ritmo atrial ocorrem independente do ritmo de ventricular
muito mais lento. A frequência
atrial tende a ser rápida e regular. O ritmo ventricular é regular e
muito mais lento que o ritmo de atrial.
(frequencia ventricular cão: 40 - 60 bpm; frequencia ventricular
gato: 90 - 110 bpm).
A
ativação ventricular é iniciada de focos de marcapasso automáticos
ocultos, subsidiários. O ritmo de resultante está chamado um ritmo de
fuga. Se a ativação de ventricular de fuga acontecer de um foco de
ventricular alto, a morfologia de QRS pode parecer relativamente normal.
Porém, normalmente a morfologia de QRS tende a ser muito anormal.
Tratamento:
Bloqueio
de 2° grau: Mobitz 2
Atropina
(parassimpatolítico):
cão:
0.04-0.06 mg/kg (IV,IM); 0.04 mg/kg TID - QID (SQ, PO)
gato:
0.02-0.04 mg/kg (IV,IM), QID (SC)
Glicopirrolato
(parassimpatolítico):
cão:
0.005-0.01 mg/kg (IV,IM); 0.01-0.02 mg/kg TID (SC)
gato:
0.005-0.01 mg/kg (IV,IM); 0.01-0.02 mg/kg (SC)
Isoproterenol
(beta-agonist):
cão:
0.04-0.09 ug/kg/min (infusão contínua)
gato:
0.04-0.09 ug/kg/min (infusão contínua)
Terbutalina
(beta-agonist):
cão:
2-5 mg BID (PO)
marcapasso
Bloqueio
de 3° grau:
Atropina
normalmente não é efetiva.
Isoproterenol
IV podem aumentar a frequencia ventricular.
Terapia
com o marcapasso normalmente é a única terapia efetiva.
Isoproterenol:
cão:
0.04-0.09 ug/kg/min (infusão contínua)
gato:
0.04-0.09 ug/kg/min (infusão contínua)
Terbutaline
Cão:
2-5 mg BID(PO)
gato:
desconhecido